Tribuna Popular presidida pela vereadora Claudia Batista debate o Projeto de Lei “Pobreza Menstrual"

 Blog Notícia da Foto 19/08/2021



Na manhã de hoje 18, a Câmara Municipal de Imperatriz discutiu em Tribuna Popular os problemas que estão relacionados com a "Pobreza Menstrual". A vereadora Claudia Batista (PTB), responsável pelo projeto de lei, presidiu a tribuna. 

A Juíza Sônia Amaral titular da 10ª Vara Cível da Comarca de São Luís, iniciou a discussão com um relato sobre a importância de conhecer de perto a realidade de jovens meninas que passam por situações lamentáveis durante o período menstrual. 
"É ignorado a importância desse tema, acabamos vivendo em nossas bolhas, sem perceber que existem demandas em nossa sociedade que de fato são urgentes e importantes. Há pouco tempo atrás, conversando com minha médica ginecologista, ela me repassou o que meninas e mulheres enfrentam pela falta do absorvente higiênico. Fiquei perplexa, eu não sabia que existia essa situação da pobreza menstrual, e as consequências enfrentadas por essas mulheres em termos de saúde, por não ter esse objeto mínimo de higiene tão necessário para a preservação da saúde. Percebi que estamos distantes de uma realidade, vivemos em uma bolha sem perceber. A realidade é maior e é chocante. Quando uma adolescente deixa de ir á escola porque não tem um absorvente higiênico é algo que precisamos refletir. Precisamos mudar isso, não é admissível acontecer na sociedade.

Essa iniciativa já foi aprovada em Londres, e na maior capital do nosso país, São Paulo. Finalizo parabenizando a vereadora. É importante que seja aprovada, eu acredito firmemente que a Câmara Municipal de Imperatriz aprovará essa iniciativa da vereadora Claudia Batista”, encerra a juíza. 
Infertilidade, evasão escolar, problemas emocionais estão relacionados a pobreza menstrual. Para falar sobre essa situação a médica ginecologista e obstetra, Karlla Zolinda com experiência de 22 anos na área da saúde da mulher, destaca a importância da higiene íntima adequada. 
“Pobreza Menstrual, é uma questão de dignidade íntima. É um disparate vermos que as coisas têm evoluído e como as estatísticas são muitos cruéis com as pessoas que vêm de uma condição de vulnerabilidade econômica, e como tudo isso implica na vida delas. Segundo a ONU o acesso a higiene menstrual é um direito e dever, que deve ser tratado como uma questão de saúde pública. Dados numéricos mostram que uma a cada quatro adolescentes não possuem absorventes para o seu período menstrual, por conta disso, essas adolescentes faltam a aula. A mulher inicia o ciclo menstrual por volta dos 12 anos de idade e para por volta dos 48 ou 50 anos. Passam a maior parte da vida útil sangrando. Para passar por esse processo é preciso ter uma higiene adequada. A vagina possui micro-organismos que se estiverem em níveis desequilibrados acima do normal causam doenças. Então a falta de higiene somado a falta de acesso às condições básicas para essa higiene, fazem com que as mulheres adoeçam de doenças graves infecciosas, podendo levar a uma grave consequência como a infertilidade. O uso de materiais como tecido, jornal, miolo de pão para conter o fluxo gera trauma, gera porta de entrada para bactérias que podem chegar até a corrente sanguínea. Essas doenças podem ser evitadas se essa mulher tiver o acesso ao absorvente. O projeto é importante sim; é necessário sim, envolve saúde”. Esclarece a médica. 

A presidente da Associação de Gestores da Rede Municipal, Cleomar Conceição da Silva trouxe um relato. De acordo com a gestora, durante pesquisa realizada em 2018 para observar as faltas, pode constatar a evasão escolar de quatro à cinco dias mensais por conta do período menstrual, totalizando cinquenta dias letivos, um prejuízo de mais de duzentas horas anuais no ensino dessas jovens.  
Uma experiência relatada por Cleomar, mostra o quão prejudicial o problema pode ser para a saúde. 
“Uma das alunas passou por uma situação na escola da qual eu sou gestora, a levei para casa, ela falou tia a senhora não imagina porque estou assim: é que esqueci de tomar água de limão que eu sempre tomo para parar. Chegamos na casa da adolescente e vi a situação. Uma avó criando quatro netos, pois a mãe das crianças já faleceu. Apenas um salário mínimo para sustentar a família. Consequentemente não tinha condições de manter o uso de absorvente, nem ela e mais duas irmãs. Tomamos a iniciativa de leva-la a ginecologista para acompanhar. Graças a Deus ela está bem de saúde!  
Lembrei de algo que aconteceu comigo! Eu também fazia isso para conter o fluxo, tomava água de limão. A consequência dessa atitude foi a perda do meu útero com apenas 25 anos de idade. Tenho certeza que esse projeto terá sucesso e será aprovado”. Conclui. 

A vereadora Claudia Batista presidente da Tribuna fala sobre a relevância do projeto. “Precisamos, sim urgentemente investir em infraestrutura e acesso aos produtos de higiene menstrual. Os absorventes poderiam ser disponibilizados em postos de saúde, por exemplo: como já ocorre com outros itens, para todos damos uma resposta, estamos preocupados com a saúde pública e emocional das nossas adolescentes, aqui na Câmara Municipal, Mulher tem voz e tem vez”. 
Estiveram presentes e participaram do debate vereadores, a procuradora do município, Alessandra Belfort, a psicóloga Shyrlani Silva, a Coordenadora do Centro de Referência e Atendimento à Mulher, Maria da Conceição Chaves de Souza, a  diretora adjunta da Casa da Mulher Maranhense, Kelly Santana, a presidente do Conselho da Pessoa com Deficiência, Regina Célia Nobre Lopes, a professora e gestora da Escola Tocantins, Teresinha Sodré, Cláudia Costa, diretora da Casa da Mulher Maranhense e a Estudante de Medicina, Thaynara Santos.